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Meninas superpoderosas

Elisângela Santos

Jovens empresárias goianas, na faixa etária dos 18 aos 34 anos, acreditam que a chave do sucesso está no fato de não ter medo de se arriscar ao investir no novo. Graduada em Odontologia, até há bem pouco tempo Fabíula Paniago de Sena, 30, era a única mulher a fazer parte da Associação dos Jovens Empresários e Empreendedores de Goiás (AJA). Formada em São Paulo, onde iniciou a carreira, ela tem pós-graduação em Marketing e Gestão Empresarial. Optou por não se especializar em nenhum dos ramos da Odontologia, isso porque tem paixão por "seu lado empresário".

Cinco anos atrás ela era empregada de uma clínica na Grande São Paulo. Hoje, em Goiânia, é dona de seis consultórios, onde trabalham 15 cirurgiões-dentistas especialistas em áreas como endodontia, prótese, pediatria, ortodontia. Os consultórios de Fabíula também empregam cinco secretárias.

São mais de seis mil pacientes cadastrados. Em breve, mais dois novos consultórios. "Adoro ser empresária. Mas não deixo de lado pequenos detalhes. A primeira consulta do paciente é comigo. Depois de fazer o diagnóstico o passo para o especialista indicado", conta.

Fabíula gosta de negociar o orçamento com seus clientes. Seu público-alvo de atendimento é a classe média baixa. "São pessoas que pagam em dinheiro. A única coisa que têm para preservar é o nome é não querem sujá-lo; por isso são honestos", assegura.

A empresária-odontóloga conta que quando veio para Goiânia teve o apoio de um irmão, que resolveu ser seu sócio. Juntos, fizeram um investimento de R$ 50 mil no primeiro consultório. Segundo ela, valeu a pena. A idéia agora é montar uma franquia do serviço que oferece.

De olho em novos horizontes, ela também se arrisca agora na atividade de criadora de gado. "É meu novo investimento." Fabíula acredita que a chave do seu sucesso está no fato de sempre estar preocupada em se atualizar; montar em seus consultórios planilhas que lhe ajudem na administração e nunca se esquecer da capacitação de suas assistentes.

"O último curso que fizeram foi de atendimento e negociação", conta. Fabíula acredita que é uma "garota superpoderosa" pela fato de não ter tido medo de se arriscar. "Se perder tudo, não tenho medo de começar novamente. Hoje em dia, as meninas só pensam em investir em sapatos e roupas para arrumar um bom casamento. A mulher não pode ser assim. Tem que ser batalhadora. Sei que isso assusta os homens, mas é assim que penso."


Ousadia
A designer Maysa Melo e Santos, 22, entrou com a "cara e a coragem" no mundo dos negócios. Juntas, ela e a sócia, Tânia Aparecida Canedo, 40, deram início a um ateliê de customização com apenas R$ 80. Os primeiros modelos de camisetas foram criados a partir de peças compradas em Campinas. "Pegamos camisetas pretas de bandas de rock e as transformamos em algo bem fashion," revela. Além da produção das peças, Maysa tem se desdobra para "encarnar" a vendedora. Com sacolas nas mãos, vai para shows de rock vender a produção. A coleção, além de roupas, conta com assessórios, como pulseiras com preços de R$ 2 a R$ 10.

"Não temos medo de ousar, de ir na contramão da moda. Aliás, é isso que faz com que tenhamos a possibilidade de sucesso: arriscar, ir em busca do inusitado, sem medo." Para se especializar e correr atrás do sonho de se tornar uma grande empresária, Maysa faz curso de Gestão Empresarial. "Nenhum de meus colegas de faculdade teve coragem de abrir o seu próprio negócio. Eu gosto de arriscar, o que já é meio caminho andado para o sucesso."
Carlos Costa



Jovens brasileiros têm medo de arriscar
Em todo o mundo, a atividade empreendedora inicial predomina entre as pessoas de 25 a 34 anos. Os negócios já estabelecidos, por sua vez, são liderados principalmente por indivíduos entre 45 e 54 anos. O Brasil reproduz a dinâmica internacional. Aqui, a taxa de empreendedores entre 25 e 34 anos que estão em estágio inicial é de 16,6%.

As informações constam do relatório do "Empreendedorismo no Brasil ? 2005", elaborado pela Global Entrepreneurship Monitor, que teve como um de parceiros na elaboração deste trabalho o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Enedina Oliveira Peçanha, consultora do Sebrae na área de acesso a serviços financeiros, foi uma das responsáveis em junho de 2004 pela implantação do Programa de Geração de Emprego e Renda (Proger) ? que tem como público-alvo pessoas na faixa etária de 16 a 24 anos. O objetivo é dar condições para o primeiro emprego.

Mas, segundo Enedina, logo de cara foi possível perceber que falta nos jovens brasileiros uma das características mais importante para se tornar um empreendedor de sucesso: não ter medo de arriscar, de investir no que é novo.

Demanda menor ? A consultora do Sebrae conta que a o Brasil era de atrair 16 mil jovens. Só que o número foi de apenas quatro mil. Em Goiás, foram 800 os inscritos iniciais. De uma etapa de avaliação para outra, o número caiu para 446 ? neste meio caminho muitos preferiam não se arriscar. Buscaram se tornar empregados em vez de se tornar seus próprios chefes.

Na etapa seguinte, que foi marcada por cursos de capacitação (marketing, finanças, planos de negócios e empreendedorismo), após novas avaliações, só restaram 138 pessoas. Deste total, 9 realmente deram início ao próprio negócio.

São jovens que resolveram arriscar e abrir salões de beleza, restaurantes, confecções, pastelarias, videolocadoras, lan houses, mercearias, distribuidoras de água e de bebidas. Para dar início à vida de empresários, conseguiram financiamento junto ao Banco do Brasil, no valor máximo de R$ 50 mil, dinheiro utilizado na aquisição de equipamento e como capital de giro.

Quanto à grande diferença entre o número inicial e o final de participantes do programa, a consultora do Sebrae comenta que é pouco. Segundo ela, isso se deve ao fato de o Brasil não ter uma política pública de engajamento do jovem na sociedade. Outro fator é que os jovens não acreditam em si mesmos, em suas capacidades.

Segundo Enedina, o jovem empreendedor de sucesso é aquele que tem como principais características a persistência, visão de futuro, e, principalmente, a ausência do medo de correr riscos. "Atitude é fundamental. Nada cai do céu. Quem ainda faz parte do programa, teve que correr atrás de tudo sozinho. Só demos o suporte técnico." Ela frisa que empreender significa assumir riscos.

Segundo a Confederação Nacional dos Jovens Empreendedores (Conaje), a atual conjuntura do Brasil aponta o empreendedorismo como uma importante alternativa na colocação dos jovens em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem no País 61 milhões de jovens entre 15 e 34 anos e, destes, 22 milhões estão sem trabalho.



Fonte: Jornal Diário da Manhã

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